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Copa e Olimpíada devem provocar mudanças no perfil de turismo de SP e RJ 11/05/2011

Centrada em turismo de lazer somente no período de férias e verão, a cidade do Rio de Janeiro vira centro de negócios na maior parte do ano

Os próximos eventos que ocorrerão no País – Copa e Olimpíada – devem atrair mais turistas e movimentar a economia do País. Para além do esperado, porém, os eventos podem também provocar alterações no perfil de turismo de grandes cidades brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Fortes no turismo de negócios ao longo do ano, essas cidades poderão se fortalecer como polos de cultura e lazer quando os jogos terminarem. “Não deve ocorrer uma inversão do perfil, porque isso não aconteceu em nenhum lugar onde os eventos passaram. Mas se fortalece o turismo de lazer”, acredita o presidente da Abih-RJ (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro), Alfredo Lopes.

Para o presidente da associação da seção de São Paulo, Bruno Omori, mesmo antes dos eventos, o perfil de turismo da cidade de São Paulo já começou a ser mais diversificado. Hoje centrada predominantemente no mundo dos negócios e eventos, a capital paulista também oferece ampla estrutura de lazer e, principalmente, cultura – o que a ajuda a alcançar o equilíbrio entre os tipos de turismo. “Com os eventos, pode haver uma mudança, mas com crescimento tanto do turismo de lazer como de negócios”, considera Omori.

Para o presidente da SPTuris – órgão responsável pelo turismo da cidade de São Paulo – Caio Luiz de Carvalho, o turismo da capital paulista está em sua melhor fase. “Antigamente, a cidade só era vista como destino de negócios, agora a cidade vive seu melhor momento no turismo e tem recebido cada vez mais visitantes por motivos variados”, afirma. E, com os grandes eventos, a realidade da cidade pode ser ainda melhor. “Isso fará com que a capital paulista fique mais em evidência”.

O Rio dos negócios
Centrada em turismo de lazer somente no período de férias e verão, a cidade vira centro de negócios na maior parte do ano. Somente com o mundo corporativo, os hotéis da capital carioca permanecem 65% ocupados ao longo do ano. Em média, a ocupação anual da cidade fica em torno de 75%.

Mas nem sempre foi assim. Com o fortalecimento da indústria na cidade, devido às petrolíferas, e também por conta dos eventos, o Rio de Janeiro começa a ser visto como uma cidade mais global. “O sucesso é maior por conta da exposição da cidade lá fora”, comenta Lopes.

A divulgação da cidade no exterior, na avaliação de Lopes, é um dos fatores que mais farão com que a cidade se mantenha como destino de turistas estrangeiros, mesmo depois dos grandes eventos. E é a principal estratégia para que ela se torne um polo de cultura ao longo de todo o ano. “Temos de trabalhar um calendário forte e os gargalos que o setor tem”, afirma Lopes.

Apesar de esperar um fortalecimento do segmento de lazer e cultura, o presidente da Abih-RJ acredita que esse tipo de turismo é “perigoso”. “Ele é muito volátil, porque migra muito fácil”, explica. Contudo, em termos econômicos, Lopes acredita que o segmento de diversão pode ser mais lucrativo. “Quando você viaja a lazer, acaba tendo um controle menor e gasta mais”, diz.

São Paulo do lazer
De segunda a sexta-feira, a ocupação dos hotéis de São Paulo chega a 80%. Nos cinco dias úteis da semana, os negócios movem o turismo da cidade. Durante o fim de semana, a ocupação cai para 60%. A capital financeira do País, contudo, está em busca também do título de capital da cultura e do lazer – o que pode ser alcançado com os eventos mundiais.

Ainda assim, Omori, da Abih-SP, não acredita que haja uma inversão do perfil de turismo da cidade, mas um equilíbrio. “A ideia é transformar São Paulo em um polo cultural, mas aliar isso com o turismo de negócios e eventos, fazer com que esse turista se torne um turista de lazer”, avalia Omori. Esse equilíbrio está cada vez mais próximo, já que, entre 2002 e 2003, a ocupação dos hotéis durante os finais de semana estava em 30%.

“A vocação da cidade são os negócios, os eventos e a agenda cultural. A estratégia é aliar os três de forma que, cada vez mais, os visitantes virão – ou aqui ficarão mais tempo – por mais de um motivo”, acredita Carvalho, da SPTuris.

Para alcançar esses objetivos, assim como no Rio de Janeiro, a capital paulista precisa suprir alguns gargalos. “Falta um trabalho promocional forte para o estado e a cidade se tornarem atrativos em turismo de lazer, compras e gastronomia, porque temos estrutura para isso”, avalia Omori.

Os aeroportos são outro problema a ser enfrentado pela cidade não apenas para receber os turistas que virão por conta dos jogos, mas para receber os que virão depois. “ Em 2007, quando confirmada a Copa do Mundo de 2014, muito se prometeu em relação  a isso. Nada se fez”, afirma Carvalho. “Agora, como previsto, sem planejamento, tudo vai sair mais caro. Em um país dependente do transporte aéreo, é o máximo da irresponsabilidade”, acredita.

Fonte: UOL

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